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O envelhecimento da população tem gerado novas demandas, dentre elas a educação e o trabalho. Compreende-se que há pessoas com realidades de vida bem distintas, há os que sentem o peso da idade e, os que se mantêm em pleno vigor e, estas especificidades devem ser consideradas.

A realidade atual, é complexa e repleta de novas exigências que carece de novos modos de pensar e agir para que se possa viver o envelhecimento de forma plena, e com alteridade, além de respeito à singularidade de cada indivíduo, especialmente o adulto maduro.

E porque não gerar produtos e soluções para o adulto maduro, pensadas e idealizadas por eles mesmos? Por que não ouvir estas pessoas e lhe oferecer o que de fato lhes atende?

Entende-se como relevante que as empresas se atentem para a potencialidade laboral e criativa deste adulto maduro, e que a intergeracionalidade possa ser um potencial gerador de competitividade para seu destaque no mercado em que atua. Cada geração tem suas características positivas e as entendidas como negativas, portanto, compreende-se que é importante promover um equilíbrio entre estas, potencializando o que há de positivo e, minimizando o que há de negativo através de ações efetivas de integração entre as gerações. Em tempo de atenção à diversidade, um olhar atento às diversidades advindas de gerações diferentes convivendo juntas releva-se um potencial campo de atuação para as organizações e toda a sociedade.

A reforma da Previdência prevê mais anos de contribuição, contudo, o mercado de trabalho anda na contramão, deixando de abrir suas portas às pessoas com mais idade.

O direito do “adulto maduro” ao trabalho, é aqui compreendido como algo recente na medida em que, se está diante de um fenômeno de longevidade sem precedentes, portanto, são inúmeras as questões que devem ser pensadas, analisadas, estudadas e compreendidas em sua essência para ações que efetivamente promovam a oportunidade tão desejada por parte significativa desta população.

Em vídeo, a pesquisadora do IPEA Maria Andreia Lameiras afirma que a permanência do adulto maduro no mercado de trabalho se dá por duas razões, primeiro pela manutenção da renda e o segundo está diretamente relacionado à expectativa de vida. Afirma ainda: “Essas pessoas querem se manter ativas, pois têm uma maior expectativa de vida maior”.

O crescimento da população tida como envelhecida e com plenas capacidades físicas e mentais deve ser considerado, pois, muitos estão fora do mercado de trabalho e buscam uma oportunidade. Desejam ocupar-se e obter uma renda ou complemento desta, pois quando aposentados não conseguem manter um padrão de vida que os atenda minimamente. Outra questão relevante é, sentir-se plenamente capaz e ter as oportunidades negadas por conta da idade. Deve-se considerar que o adulto maduro conta com uma significativa experiência de vida e que aliado aos seus conhecimentos forma o seu maior ativo, que estará à serviço das organizações e das novas gerações.

Vive-se um momento em que, ser idoso deixou de ser sinônimo de incapacidade, improdutividade e dependência, pelo contrário, os “adultos maduros” de hoje são ativos, produtivos, antenados e independentes.

Acredita-se que as oportunidades para pessoas acima dos 60 anos vão atender a uma tendência natural, a longevidade. A população está envelhecendo, portanto, temos que nos adequar, não só produtos e serviços, mas também com oportunidades de trabalho. Fica a pergunta: será que o Brasil está preparado para lidar com as novas demandas e os novos desafios resultantes do envelhecimento populacional?

 

 

Artigo completo apresentado no VII Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociedades e Humanidades (CONINTER)

MÔNICA CAMPOS SANTOS MENDES

Mestranda do Programa de Humanidades, Culturas e Artes

 

ANGELO SANTOS SIQUEIRA

Professor do Programa de Humanidades, Culturas e Artes

 

Nós já falamos sobre esse assunto em um outro post, mas resolvemos voltar a esse tema porque temos recebido muitos currículos.

Nenhum problema com isso, já que o objetivo do Instituto Eu Consigo é esse mesmo, apoiar quem está em busca de recolocação.

Então qual é o problema? Bom, temos recebido muitos currículos, mas através de e-mails que são enviados sem título no assunto, sem mensagem de apresentação, muitas vezes, nem sequer alguma palavra de introdução, como bom dia ou boa tarde.

Então, nós gostaríamos de chamar sua atenção para um ponto muito importante!

E para isso, vamos nos colocar no lugar do recrutador por um momento. Como você acha que o recrutador receberia o seu CV se ele não vem acompanhado de uma mensagem introdutória, nem que seja, um simples cumprimento e uma breve mensagem agradecendo a oportunidade de ter seu currículo avaliado?

Como recrutadora, a notícia ruim, é que dificilmente o seu currículo será visto, já que o volume de trabalho dos recrutadores é bem alto, então provavelmente ele vai preferir abrir um e-mail que foi enviado com uma apresentação formal e profissional.

Como pessoa, posso dizer que é muito mais simpático e agradável receber um e-mail com um bom dia, boa tarde e uma mensagem que deixe claro que você leu a publicação sobre a vaga, prestou atenção aos requisitos e está se candidatando sabendo que o seu perfil profissional corresponde ao que está sendo solicitado.

Inicie e finalize a redação do e-mail, encaminhando seu currículo , com saudações simples, mas formais. Isso será suficiente para fazer com que a pessoa que o recebe, leia a sua mensagem e avalie o documento anexado.

Então para facilitar, vamos resumir :

  • Leia atentamente a publicação da vaga ofertada;
  • Reflita, a sua experiência profissional e a sua formação estão de acordo com o que está sendo pedido?

(não precisa ser rígido ao extremo, se não possuir 1 requisito listado pode enviar o CV, já no caso da formação exigida isso é indispensável, não vai adiantar ter ensino médio e se candidatar a uma vaga de engenheiro mecânico, por exemplo)

  • Escreva uma breve mensagem no corpo do e-mail , aqui te damos alguns exemplos para iniciar : Prezado (a) ; Boa tarde, encaminho meu currículo para avaliação;
  • Finalize usando também uma saudação, como : Cordialmente; Atenciosamente.
  • Não envie e-mails sem mensagem, sem título no assunto do e-mail somente com anexo, isso certamente, causa uma má impressão e sensação de desleixo.
  • Revise o texto antes de enviar, erros ortográficos também chamam atenção, mas de forma negativa, e não é esse o seu objetivo.

Essas são só algumas dicas simples para você estar atento!

Lembre-se que educação e cordialidade podem abrir muitas portas e principalmente, aquela portinha da contratação que você está buscando!

O físico e químico Sérgio Mascarenhas de Oliveira já tinha uma longa e bem sucedida carreira, reconhecida internacionalmente, quando foi diagnosticado com hidrocefalia - doença que provoca acúmulo de liquor em cavidades do cérebro. O ano era 2005, e ele estava com 77 anos. Para lidar com o problema, precisou passar por uma cirurgia, na qual foi implantada uma válvula que drena o excesso de líquido.

A experiência o deixou inconformado. E Mascarenhas decidiu desenvolver um método que permitisse mensurar o pulso da pressão intracraniana (PIC) de forma minimamente invasiva – algo considerado impossível até então. Sua pesquisa provou que o crânio é expansível e que essa deformação pode ser detectada por fora, sem a necessidade de realizar uma cirurgia para inserir um sensor no cérebro. Com base nisso, ele criou o método Braincare.

Na nova proposta, um sensor é posicionado externamente, na cabeça do paciente, e gera dados que podem ser visualizados em tempo real, na tela de qualquer computador ou dispositivo móvel conectado à internet. Por meio dessas informações, dá para checar se há ou não problemas neurológicos, quadros de AVC, hidrocefalia etc.

A solução deu origem a uma startup. E, em 2017, a Braincare foi uma das sete startups aceleradas pela Singularity University – a única brasileira do grupo. Neste ano, ela foi apontada no ranking 100 Startups to Watch 2018, um estudo das revistas PEGN e Época Negócios, da Editora Globo, e da Corp.VC, braço de corporate venture da consultoria  EloGroup.

Na entrevista abaixo, Mascarenhas fala não apenas sobre essa experiência, como de um novo projeto: um prêmio com foco em jovens mulheres que se dedicam à ciência.

CAMINHOS PARA O FUTURO - O senhor conseguiu utilizar um diagnóstico difícil como ponto de partida para um novo projeto profissional, a Braincare. Como desenvolveu essa capacidade de dar a volta por cima? Sua trajetória de vida é marcada por outras "viradas" desse tipo? SÉRGIO MASCARENHAS - Realmente foi uma volta por cima! A crise para um pesquisador deve ser um desafio. Diagnosticado com doença incurável, tive que me submeter a uma craniotomia para aplicação de um “shunt” que alivia a pressão intracraniana, conduzindo por uma cânula o excesso do líquor (líquido que banha o cérebro e a coluna) ao peritoneo (barriga), onde é absorvido. Fiquei inconformado que no século 21 não existisse uma técnica não invasiva para monitorar a pressão intracraniana. Fui levado a usar os conhecimentos interdisciplinares que tenho como físico e professor na área de engenharia para inventar a inovação: colocar um chip externamente ao osso do crânio, capaz de medir a deformação do mesmo, causada pela pressão intracraniana interna.

O sensor Braincare, desenvolvido por Sérgio Mascarenhas, que deu origem a startup (Foto: Divulgação)

CAMINHOS PARA O FUTURO - Como sua proposta foi recebida?

MASCARENHAS - Tive dificuldade em convencer neurocirurgiões que adotavam o Princípio de Monro-Kellie, que diz que, após consolidado no adulto, o crânio é rígido. Como físico, sei que nem o núcleo atômico é totalmente rígido e que o tal princípio não era correto. Foi no fundo uma quebra de paradigma de cerca de 200 anos. Verifiquei experimentalmente com crânios de cadáver em que havia a deformação micrométrica, que era linear com a pressão interna e sem histerese (ou seja, subida e descida da pressão coincidem). Estava verificado o efeito físico que me levou ao produto e à criação da Braincare - empresa que criei com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da Organizacao PanAmericana de Saúde e outros órgãos. Após alguns anos, encontrei investidores entusiásticos entre meus próprios ex-alunos da USP São Carlos, já empresários capitalizados e de experiência e visão internacional: Plínio Targa (nosso atual CEO) e Carlos Bremer. CAMINHOS PARA O FUTURO - O senhor mencionou seus ex-alunos. Em outras entrevistas, costuma mencionar que "o professor que não tem alunos melhores que ele, falhou"...

MASCARENHAS - Realmente, professor bom é o que tem alunos e colaboradores melhores que ele, pois é assim que se criam escolas, equipes e visão de políticas de Estado a médio e longo prazos. Nesse sentido, tive muita sorte, pois tive alunos e colaboradores exemplares na USP, na UFSCAR, na EMBRAPA INSTRUMENTAÇÃO e até em muitos centros emergentes no Brasil e na América Latina. Também contei com o apoio de grandes líderes mundiais da ciência, como Abdus Salam e Lars Onsager, ambos Prêmios Nobel com os  quais trabalhei e pesquisei. Não existe “ciência caipira”. Tem que ter padrão internacional! Por isso, a colaboração internacional é fundamental para o progresso de uma nação.

CAMINHOS PARA O FUTURO - O que o motivava no início da sua vida profissional e o que o motiva hoje?

MASCARENHAS - O que sempre me motivou é que a ciência, a tecnologia e a inovação são a base do desenvolvimento de um país. E que, infelizmente, a colonização do Brasil nesses 500 anos é uma triste herança de dependência que nos levou ao subdesenvolvimento e grande desigualdade. Por isso, apesar de ter sido convidado por Harvard, Princeton, MIT e por outras universidades onde fui professor visitante, achei que era meu dever retornar ao Brasil para pagar essa verdadeira dívida social. Infelizmente, essa visão está sofrendo grande impacto na política atual que chega a cortar verbas da educação, ciência e tecnologia como se fossem gastos e não investimentos essenciais para o futuro da nação.

Sérgio Mascarenhas com o primeiro experimento que resultou no Braincare (Foto: Divulgação)

CAMINHOS PARA O FUTURO - Como surgiu e quais são as metas do projeto "Prêmio Marie Curie para jovem cientista brasileira"? Com base nesse projeto, também gostaria que falasse um pouco sobre a relação que vê entre diversidade e geração de conhecimento.

MASCARENHAS - Sobre o Prêmio Marie Curie, ele é minha proposta para motivar a busca de talentos entre jovens mulheres, que são tão discriminadas e das quais precisamos muito no Brasil e no mundo. Infelizmente, as mulheres têm sido relegadas, sobretudo na ciência e tecnologia, e isso ocorre mundialmente. Lembro-me, por exemplo, que ao visitar a avançada Suíça na segunda metade do século 20, as mulheres ainda não tinham direito ao voto! Machismo, racismo e escravagismo infelizmente ainda impedem nosso desenvolvimento.

Espero obter apoio de entidades filantrópicas para essa premiação. O Brasil precisa trocar o P da Pilantropia  pelo F da Filantropia! A Universidade Rockefeller, em Nova York, é um quarteirão e tem 27 Prêmios Nobel! Quando a visitei, verifiquei inúmeros prédios e laboratórios com nomes de filantropos e suas famílias. A riqueza virtuosa pode criar riqueza social mais justa.

CAMINHOS PARA O FUTURO - Hoje em dia, é comum o medo de ficar desatualizado, pois parece que tudo muda cada vez mais rápido. Que conselhos daria nesse sentido? Qual o seu segredo para se manter bem informado e não sucumbir diante dessa carga excessiva de informações?

MASCARENHAS - Quanto a enorme onda de informação da Revolução Digital do século 21, gostaria de iniciar distinguindo entre “conhecimento” e “cognição”. Conhecimento é a matéria com a qual interagimos com a realidade, e o tem o Google, as enciclopédias... Mas cognição é o empoderamento do conhecimento e seu processamento pelos 80 bilhões de neurônios do nosso cérebro. Dizer que uma pessoa tem grande conhecimento não é o mesmo que dizer que tem a sabedoria que é dada pela cognição.

Claro que com big data, wearables, internet das coisas etc., o mundo se tornou extremamente mais complexo e, por isso, a preparação  para essa nova realidade exige uma nova educação também. Com inteligência artificial e sistemas complexos não lineares, houve um novo universo criado e há nitidamente um gap geracional. Meu neto de 8 anos lidando com seu laptop e celular tem uma estrutura cognitiva diferente da minha com meus 90 anos!

E agora coloco nesta entrevista o que penso ser a maior questão já posta para a humanidade: será que teremos computadores superiores ao cérebro humano? Dois grandes físicos tomaram posição oposta nessa questão: Stephen Hawking, dos buracos-negros da Universidade de Cambridge, afirma que sim. Já outro grande físico de Oxford, Roger Penrose, autor do intrigante livro “A Mente do Imperador”, diz que nunca teremos computadores, robôs superiores ao cérebro humano. E você - repórter ou leitor - como se coloca diante dessa fundamental questão?

 

Publicação original :https://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/Saude/noticia/2018/10/ele-tem-90-anos-uma-startup-e-varios-projetos-pela-frente.html

O Instituto Eu Consigo é uma organização sem fins lucrativos que visa auxiliar, através de assessorias e orientações gratuitas, pessoas desempregadas em busca de recolocação no mercado de trabalho. Considere fazer uma doação clicando aqui!