Blog

O físico e químico Sérgio Mascarenhas de Oliveira já tinha uma longa e bem sucedida carreira, reconhecida internacionalmente, quando foi diagnosticado com hidrocefalia - doença que provoca acúmulo de liquor em cavidades do cérebro. O ano era 2005, e ele estava com 77 anos. Para lidar com o problema, precisou passar por uma cirurgia, na qual foi implantada uma válvula que drena o excesso de líquido.

A experiência o deixou inconformado. E Mascarenhas decidiu desenvolver um método que permitisse mensurar o pulso da pressão intracraniana (PIC) de forma minimamente invasiva – algo considerado impossível até então. Sua pesquisa provou que o crânio é expansível e que essa deformação pode ser detectada por fora, sem a necessidade de realizar uma cirurgia para inserir um sensor no cérebro. Com base nisso, ele criou o método Braincare.

Na nova proposta, um sensor é posicionado externamente, na cabeça do paciente, e gera dados que podem ser visualizados em tempo real, na tela de qualquer computador ou dispositivo móvel conectado à internet. Por meio dessas informações, dá para checar se há ou não problemas neurológicos, quadros de AVC, hidrocefalia etc.

A solução deu origem a uma startup. E, em 2017, a Braincare foi uma das sete startups aceleradas pela Singularity University – a única brasileira do grupo. Neste ano, ela foi apontada no ranking 100 Startups to Watch 2018, um estudo das revistas PEGN e Época Negócios, da Editora Globo, e da Corp.VC, braço de corporate venture da consultoria  EloGroup.

Na entrevista abaixo, Mascarenhas fala não apenas sobre essa experiência, como de um novo projeto: um prêmio com foco em jovens mulheres que se dedicam à ciência.

CAMINHOS PARA O FUTURO - O senhor conseguiu utilizar um diagnóstico difícil como ponto de partida para um novo projeto profissional, a Braincare. Como desenvolveu essa capacidade de dar a volta por cima? Sua trajetória de vida é marcada por outras "viradas" desse tipo? SÉRGIO MASCARENHAS - Realmente foi uma volta por cima! A crise para um pesquisador deve ser um desafio. Diagnosticado com doença incurável, tive que me submeter a uma craniotomia para aplicação de um “shunt” que alivia a pressão intracraniana, conduzindo por uma cânula o excesso do líquor (líquido que banha o cérebro e a coluna) ao peritoneo (barriga), onde é absorvido. Fiquei inconformado que no século 21 não existisse uma técnica não invasiva para monitorar a pressão intracraniana. Fui levado a usar os conhecimentos interdisciplinares que tenho como físico e professor na área de engenharia para inventar a inovação: colocar um chip externamente ao osso do crânio, capaz de medir a deformação do mesmo, causada pela pressão intracraniana interna.

O sensor Braincare, desenvolvido por Sérgio Mascarenhas, que deu origem a startup (Foto: Divulgação)

CAMINHOS PARA O FUTURO - Como sua proposta foi recebida?

MASCARENHAS - Tive dificuldade em convencer neurocirurgiões que adotavam o Princípio de Monro-Kellie, que diz que, após consolidado no adulto, o crânio é rígido. Como físico, sei que nem o núcleo atômico é totalmente rígido e que o tal princípio não era correto. Foi no fundo uma quebra de paradigma de cerca de 200 anos. Verifiquei experimentalmente com crânios de cadáver em que havia a deformação micrométrica, que era linear com a pressão interna e sem histerese (ou seja, subida e descida da pressão coincidem). Estava verificado o efeito físico que me levou ao produto e à criação da Braincare - empresa que criei com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da Organizacao PanAmericana de Saúde e outros órgãos. Após alguns anos, encontrei investidores entusiásticos entre meus próprios ex-alunos da USP São Carlos, já empresários capitalizados e de experiência e visão internacional: Plínio Targa (nosso atual CEO) e Carlos Bremer. CAMINHOS PARA O FUTURO - O senhor mencionou seus ex-alunos. Em outras entrevistas, costuma mencionar que "o professor que não tem alunos melhores que ele, falhou"...

MASCARENHAS - Realmente, professor bom é o que tem alunos e colaboradores melhores que ele, pois é assim que se criam escolas, equipes e visão de políticas de Estado a médio e longo prazos. Nesse sentido, tive muita sorte, pois tive alunos e colaboradores exemplares na USP, na UFSCAR, na EMBRAPA INSTRUMENTAÇÃO e até em muitos centros emergentes no Brasil e na América Latina. Também contei com o apoio de grandes líderes mundiais da ciência, como Abdus Salam e Lars Onsager, ambos Prêmios Nobel com os  quais trabalhei e pesquisei. Não existe “ciência caipira”. Tem que ter padrão internacional! Por isso, a colaboração internacional é fundamental para o progresso de uma nação.

CAMINHOS PARA O FUTURO - O que o motivava no início da sua vida profissional e o que o motiva hoje?

MASCARENHAS - O que sempre me motivou é que a ciência, a tecnologia e a inovação são a base do desenvolvimento de um país. E que, infelizmente, a colonização do Brasil nesses 500 anos é uma triste herança de dependência que nos levou ao subdesenvolvimento e grande desigualdade. Por isso, apesar de ter sido convidado por Harvard, Princeton, MIT e por outras universidades onde fui professor visitante, achei que era meu dever retornar ao Brasil para pagar essa verdadeira dívida social. Infelizmente, essa visão está sofrendo grande impacto na política atual que chega a cortar verbas da educação, ciência e tecnologia como se fossem gastos e não investimentos essenciais para o futuro da nação.

Sérgio Mascarenhas com o primeiro experimento que resultou no Braincare (Foto: Divulgação)

CAMINHOS PARA O FUTURO - Como surgiu e quais são as metas do projeto "Prêmio Marie Curie para jovem cientista brasileira"? Com base nesse projeto, também gostaria que falasse um pouco sobre a relação que vê entre diversidade e geração de conhecimento.

MASCARENHAS - Sobre o Prêmio Marie Curie, ele é minha proposta para motivar a busca de talentos entre jovens mulheres, que são tão discriminadas e das quais precisamos muito no Brasil e no mundo. Infelizmente, as mulheres têm sido relegadas, sobretudo na ciência e tecnologia, e isso ocorre mundialmente. Lembro-me, por exemplo, que ao visitar a avançada Suíça na segunda metade do século 20, as mulheres ainda não tinham direito ao voto! Machismo, racismo e escravagismo infelizmente ainda impedem nosso desenvolvimento.

Espero obter apoio de entidades filantrópicas para essa premiação. O Brasil precisa trocar o P da Pilantropia  pelo F da Filantropia! A Universidade Rockefeller, em Nova York, é um quarteirão e tem 27 Prêmios Nobel! Quando a visitei, verifiquei inúmeros prédios e laboratórios com nomes de filantropos e suas famílias. A riqueza virtuosa pode criar riqueza social mais justa.

CAMINHOS PARA O FUTURO - Hoje em dia, é comum o medo de ficar desatualizado, pois parece que tudo muda cada vez mais rápido. Que conselhos daria nesse sentido? Qual o seu segredo para se manter bem informado e não sucumbir diante dessa carga excessiva de informações?

MASCARENHAS - Quanto a enorme onda de informação da Revolução Digital do século 21, gostaria de iniciar distinguindo entre “conhecimento” e “cognição”. Conhecimento é a matéria com a qual interagimos com a realidade, e o tem o Google, as enciclopédias... Mas cognição é o empoderamento do conhecimento e seu processamento pelos 80 bilhões de neurônios do nosso cérebro. Dizer que uma pessoa tem grande conhecimento não é o mesmo que dizer que tem a sabedoria que é dada pela cognição.

Claro que com big data, wearables, internet das coisas etc., o mundo se tornou extremamente mais complexo e, por isso, a preparação  para essa nova realidade exige uma nova educação também. Com inteligência artificial e sistemas complexos não lineares, houve um novo universo criado e há nitidamente um gap geracional. Meu neto de 8 anos lidando com seu laptop e celular tem uma estrutura cognitiva diferente da minha com meus 90 anos!

E agora coloco nesta entrevista o que penso ser a maior questão já posta para a humanidade: será que teremos computadores superiores ao cérebro humano? Dois grandes físicos tomaram posição oposta nessa questão: Stephen Hawking, dos buracos-negros da Universidade de Cambridge, afirma que sim. Já outro grande físico de Oxford, Roger Penrose, autor do intrigante livro “A Mente do Imperador”, diz que nunca teremos computadores, robôs superiores ao cérebro humano. E você - repórter ou leitor - como se coloca diante dessa fundamental questão?

 

Publicação original :https://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/Saude/noticia/2018/10/ele-tem-90-anos-uma-startup-e-varios-projetos-pela-frente.html

ONG ajuda desempregados com assessorias e coaching

Saiu mais uma matéria fresquinha com o nosso Presidente -fundador Sady Bordin falando sobre as assessorias que a Ong já presta gratuitamente e também sobre algumas novidades que virão por aí!

“A ideia é voar alto”, diz o piloto de avião comercial Sady Bordin sobre o Instituto Eu Consigo, fundado por ele há menos de um ano. Criado a partir de seu quarto livro publicado “Vencendo A Crise - 100 Dicas Para Conseguir, Manter ou Trocar de Emprego”, tem a missão de renovar as esperanças de quem está a procura de emprego. “Em 2016 escrevi o livro, que acabou virando um site. Contratei uma pessoa para postar conteúdos sobre empregabilidade e no fim resolvi fazer disso uma ONG, uma coisa foi levando a outra. Agora em agosto conseguimos toda a documentação e já temos CNPJ”, conta Sady. Já com três voluntários no ano passado, o “euconsigo.org” oferecia análise e melhoria de currículo de forma gratuita e, neste ano, o instituto ampliou a atuação ao criar o programa “Adote um Desempregado”, que oferece gratuitamente coach para avaliar as metas do profissional, pontos fortes, habilidades e, também, um treinamento para enfrentar processos seletivos e entrevistas. “Além de ajudar na conquista de um emprego, a intenção é que a pessoa tenha autoconhecimento, para não se submeter a um trabalho que gere frustração e sim um que a faça feliz”, diz Sady. Atualmente são 11 profissionais voluntários, que durante um mês dão consultoria completa a pelo menos uma pessoa. “Um trabalho desses custa de R$ 3 a R$ 5 mil no mercado. É um custo considerável e alto principalmente para quem está desempregado”, fala Sady.

Uma das contempladas pelo programa foi a nutricionista mineira de 31 anos, Gabriela Arcanjo. Ela, que era funcionária pública e atendia em um consultório dentro de uma clínica médica, buscava recolocação desde o ano passado, mas sem sucesso. “Desde a faculdade me falavam que tinha um perfil comercial. No ano passado eu fiz uma formação em visitação médica voltado à indústria farmacêutica. Fiz pelo menos seis entrevistas e em todas o que pegava era a falta de experiência na área”, revela. Alertada por um amigo sobre uma divulgação do serviço da ONG no LinkedIn, Gabriela entrou em contato com o Eu Consigo em julho. “Tinha uma vaga disponível e em uma semana a coach Isadora [Martins] começou as sessões comigo [pelo Skype]. Elas me ajudaram, direcionaram e exploraram meu autoconhecimento, tudo o que podia ser utilizado a meu favor para sobrepor a questão da experiência na hora da entrevista”, explica. Entre atividades, orientações, dúvidas sanadas e dicas de leitura, Gabriela teve apoio de Isadora durante o novo processo seletivo do qual participava e, em agosto, uma semana após concluir cinco sessões com duração de uma hora a uma hora e meia, foi contratada por uma multinacional do setor de alimentos para representar a nutrição infantil da empresa na região norte de Minas Gerais. “Estou encantada, foi muito mais do eu esperava”, diz. Terceira idade Também contando com assessoria jurídica para prestar esclarecimentos e de imagem, para dicas de vestuário, além de um banco de vagas de emprego em desenvolvimento, o instituto já tem um novo objetivo em andamento: o emprego para quem tem 60 anos.

“É um problema sério no Brasil, as pessoas nessa idade são descartadas. Queremos valorizar o auge da experiência, a bagagem que têm e fazer essa ponte de empresas que querem isso com os profissionais. Tudo de graça”, lembra Sady. Desde o ano passado 1,5 mil pessoas já foram ajudadas pelo instituto, que agora tem gente na fila. “A ideia é crescer, ter uma unidade física nas cidades grandes e atender pessoalmente”, conclui Sady.

 

Por: Brunno Brugnolo

Para : MetroCuritiba em 01/10/2018

Link publicação original: https://www2.metrojornal.com.br/pdf/assets/pdfs/20181001_MetroCuritiba.pdf?v=u

 

 

“Acima de tudo, tente alguma coisa.”

Franklin Delano Roosevelt (1882-1945)

Caso a altitude da cabine de um avião ultrapasse os 14 mil pés (o normal é 8.000 pés), ocasionando a famosa despressurização, máscaras de oxigênio automaticamente são liberadas, para que os passageiros tenham suprimento de oxigênio enquanto os pilotos conduzem a aeronave a uma altitude segura em que possam respirar sem o auxílio das máscaras.

E quando o nosso grande avião Brasil atinge a marca dos 14 milhões de desempregados, o que fazem seus pilotos? Nada! Absolutamente nada! Nesse avião, não existe um sistema automático para disponibilizar vagas de emprego até que a economia do país volte a crescer. Os pilotos do Brasil estão aparentemente preocupados com outros assuntos. O legislativo, com a eleição. O judiciário, com o aumento de seus próprios salários. E o executivo, apenas aguardando o fim do mandato. Como essa pane não compromete o voo em si, mas apenas a sobrevivência dos passageiros, eles prosseguem o voo como se não houvesse nada como o avião.

O avião Brasil já se encontra há muito tempo numa situação de mayday. Todavia, como a atual tripulação não irá acionar o botão no painel superior para liberar manualmente as máscaras de oxigênio, restará aos novos pilotos, que assumirão o comando da aeronave em janeiro, a solução imediata e firme dessa pane. Os 14 milhões de desempregados não podem esperar uma hora a mais de voo sequer. Pela média de contratações (400 mil vagas abertas no primeiro semestre), precisaríamos de inaceitáveis 17 anos para zerar esse estoque. Isso sem somar o acréscimo da população que está atingindo a idade para trabalhar e chegando ao mercado de trabalho a cada ano.

Praticamente todos os postulantes ao cargo de comandante do avião Brasil propõem a mesma cartilha para resolver a pane: reforma da Previdência, reforma tributária, redução do déficit fiscal, etc. e tal. Essas reformas, por mais bem-vindas e necessárias que sejam, levarão meses, senão anos, para serem implementadas. Isso se o Congresso aprová-las. E até lá, quando vão cair as máscaras para garantir a sobrevivências dos passageiros desempregados?

Nenhum candidato, efetivamente, apresentou propostas, pelo menos até agora, de como resolver a pane do emprego de forma imediata e firme.

Nós, pilotos, quando temos uma emergência em voo, agimos imediata e assertivamente para saná-la o mais rápido possível. Espera-se a mesma atitude do comandante eleito para assumir o avião em pane chamado Brasil. Se nem ele (ou ela) ou seus economistas tiverem uma proposta, sugiro dar um control C - control V no famoso e bem-sucedido programa do Presidente Roosevelt para combater a Grande Depressão americana nos anos 1930, conhecido por New Deal.

Para efeito de comparação, naquele período, o desemprego chegou a 25% nos EUA. Hoje, no Brasil de 2018, só na faixa etária dos jovens de 18 a 24 anos, essa taxa chega a alarmantes e inaceitáveis 27%. Trata-se ou não uma situação de mayday, que pede o acionamento imediato do botão de liberação de oxigênio para os milhões de passageiros desempregados a bordo do avião Brasil? Por favor, senhor (a) candidato (a): resolva essa pane assim que assumir o comando do voo.  Como comandante do avião Brasil, você tem a obrigação de solucioná-la.

 

Por Sady Bordin, piloto de linha aérea e  Presidente-fundador do Instituto Eu Consigo, Ong que  ajuda quem está sem emprego a conseguir um.

O Instituto Eu Consigo é uma organização sem fins lucrativos que visa auxiliar, através de assessorias e orientações gratuitas, pessoas desempregadas em busca de recolocação no mercado de trabalho. Considere fazer uma doação clicando aqui!